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Mostrando postagens de maio, 2020

Soberania nacional

O petróleo sempre foi tratado como questão de soberania nacional. Com base nesse argumento o estado mantém sua participação societária na Petrobras, a qual é usada para financiar projetos de poder e também para manter uma classe de trabalhadores que acumulam privilégios impensados em outros segmentos da economia. O coronavírus, lastimavelmente, veio. E trouxe na bagagem muitas mortes. E muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas caso o estado não tivesse se ocupado com a gestão de empresas como a Petrobras e tivesse mantido seu foco naquilo que realmente deve ser sua maior preocupação: saúde, educação e segurança. A soberania nacional depende de uma população saudável, educada e segura. Não de barris de petróleo. Isso ficou ainda mais claro agora.

Não temos um plano

Estamos entrando no terceiro mês de quarentena, tendo passado por períodos de fechamento total de algumas cidades e já tendo ultrapassado a marca de 20 mil mortes em decorrência do COVID-19. A falência dos pequenos negócios é generalizada. Muitos pequenos empresários estão endividados e não conseguem crédito para salvar suas firmas. Os bancos dificultam como podem o acesso aos empréstimos e financiamentos. O desemprego bateu recorde. Só em maio foram 800 mil demissões no país. Enquanto isso, não se vê um plano. Uma direção. Uma diretriz para nos reerguermos. A discussão segue no nível mais raso possível. Bolsonaristas contra esquerdistas. Um FlaXFlu! Não há ideias. Não há propostas. Nada! Nem governo nem oposição demonstram o mínimo interesse em reerguer o país. O presidente da república parece querer a bancarrota pra aniquilar os governadores e prefeitos que fecharam seus estados e municípios. A oposição parece querer a bancarrota pra chamar o presidente de incompetente. ...

Fique em casa dos artistas

Deve ser muito duro pra um chefe de família sem recursos ver a campanha estrelada por artistas em suas residências confortáveis, alguns deles até tomando vinho como fez a Ísis Valverde, pedindo pra ele ficar em casa enquanto vê seus filhos passando necessidade. Nessa época a gente percebe que a tal da empatia não passa de uma palavra no dicionário.

A real importância das coisas

E, de repente, as mortes de brasileiros vítimas do Covid deixaram de ser o tema mais importante para a imprensa, que se voltou por completo para a contagem de palavrões pronunciados na reunião ministerial do Bolsonaro. Os atos falam por si só.

Um novo mundo se descortina

Um novo mundo está logo ali a frente. Faço uma aposta: Nesse novo mundo os ricos do mundo antigo estarão mais ricos. E, consequentemente, os antigos pobres serão os novos miseráveis. Tomara que eu esteja errado.

Seres desprezíveis

Em meio a morte e desespero de um população que enfrenta o coronavírus sem certeza do amanhã, um grupo de seres desprezíveis e repugnantes armam esquemas para roubar dinheiro público que poderia salvar vidas. Ontem, dia 13 de maio de 2020, o empresário Maurício Fontoura, dono da empresa ARC Fontoura, foi preso pela polícia civil do RJ, por suspeita de envolvimento num esquema de venda superfaturada de respiradores. Acredito que o maior castigo para um ser abjeto como esse seria colocá-lo sentado em uma enfermaria de um hospital público, durante toda a pandemia, assistindo as mortes causadas por ele. Mortes de chefes de família que deixarão filhos órfãos e famílias desamparadas pelo simples fato de não ter um respirador para salvar sua vida.

O chique deselegante

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Usar roupas de grife sempre foi considerado, por uma grande parcela da população, motivo de orgulho. Alguns encaram até como necessidade básica. Até ai tudo bem. Nada contra. Mas e quando uma determinada grife decide vender máscaras de proteção contra o COVID-19 cobrando mais de 10 vezes o valor médio praticado no mercado, pelo simples fato de ostentar uma etiqueta? Isso mesmo, a Osklen decidiu vender suas máscaras por R$ 147 sob o argumento de estar doando cestas básicas para a comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. E ainda usa suas costureiras, guerreiras, em sua propaganda para tentar convencer os consumidores. Será que quem comprar estará chique?

Opiniões contrárias enriquecem o pensamento

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Tenho percebido uma guerra insana entre pessoas com opiniões diferentes, seja qual for o tema. Comumente ouço e leio a palavra intolerância, mas não vejo seu significado raiz posto em prática, ou seja, não se admite opiniões divergentes. Linha de regra, o que se vê é que, aquele que se identifica com determinada posição político diferente daquela com a qual me identifico, esse alguém é idiota e analfabeto político. Da mesma forma é classificado aquele que pensa diferente de mim quando o assunto é a pandemia do coronavírus. Se eu penso que a quarentena é necessária, aqueles que pensam o contrário são imbecis. E assim seguimos, enclausurados em nossos próprios pensamentos. Sem ouvir opiniões divergentes e sem utilizar o oposto para criar um raciocínio ponderado.

Aulas online

Tomei conhecimento de um motorista de Uber que, para manter o filho estudando durante a quarentena, teve que comprar um computador às pressas e, obviamente, num momento onde as pessoas estão confinadas ele está tendo dificuldades para pagar o computador, uma vez que seu trabalho depende de pessoas circulando. Da mesma forma imagino que milhões de crianças da rede pública de ensino estejam enfrentando dificuldades semelhantes. E assim a competição no mundo capitalista se torna ainda mais desleal, onde os filhos de quem têm condição de oferecer computador e internet em casa conseguem continuar estudando, ainda que com qualidade de ensino prejudicada, enquanto os filhos dos pobres estão totalmente impedidos de seguir estudando. O mundo precisa mudar...

Um dia de cada vez

Na possibilidade de ausência de futuro muitas coisas perdem sentido. E aí aquela máxima “Viva o hoje” passa a fazer mais sentido na cabeça de muita gente que deixou de viver o presente em prol de um futuro que sempre foi incerto. A próxima viagem, as próximas férias, o próximo carro, o próximo dia não podem ser mais importantes que o ar se respira hoje, que o sol que brilha hoje ou a chuva que molha o chão agora.